25.4.10

Focas e saxofones

Acabo de ler uma matéria sobre um casal de focas que sabem beijar e tocar saxofone. A informação, aparentemente bizarra e inútil, me fez começar o dia com ânimo incomum.

"Nem tudo está perdido", pensei. Pois se até as focas podem, eu também posso. Não que eu pretenda aprender saxofone _na verdade, deixo os instrumentos para as focas, convencido de minha total inaptidão para a música. Beijar, por outro lado, sempre é bom, e quero crer que isso eu já aprendi como se faz.

O fato é que as focas saxofonistas me deixaram com a sensação extremamente positiva de que tudo é possível. Sempre achei que fosse, mas agora, com as focas, tenho certeza. É como se a última gota de dúvida tivesse pingado no balde da certeza, preenchendo-o completamente.

Pois bem, com essa sensação de que tudo está em seu devido lugar, dei início a uma checagem de todos os departamentos da vida. O perdão de que eu falava no texto anterior, meses antes destas frescas e renovadas palavras, aconteceu. O amor, portanto, vai muito bem, obrigado. É dele que nasce minha vontade de seguir em frente, graças a um sentimento inexplicável e, ao mesmo tempo, mais do que compreensível de que tudo vale a pena (mesmo que a alma seja mínima). A família, por sua vez, tem se esforçado para que não faltem demonstrações de carinho. E o trabalho surge também com algumas esperanças e perspectivas. Parece que tudo se acerta. Harmonia pra foca nenhuma botar defeito.

Se uma foca não precisa ser John Coltrane para ser considerada saxofonista, penso que não preciso ter tudo absolutamente perfeito para ser feliz. Claro que nem tudo na vida está como eu gostaria. Obviamente que algumas imperfeições ainda demandam atenção e, como bom virginiano que sou, posso assegurar que sempre haverá algo a aprimorar. Sempre. Sendo assim, o importante é não se prender a detalhes (grandes ou pequenos) para considerar-se feliz. Do contrário, a vida passa e a felicidade nunca chega. Nunca mesmo. Quer coisa mais triste?

Era isso, meus caros, em pleno domingo nublado, gripado, retorno a este blog para anunciar que sou feliz. Notícia que certamente não rende primeira página nem interessa à grande maioria dos leitores, sedenta pelas mais recentes tragédias das páginas policiais.

Talvez, essa tal felicidade pudesse render ao menos uma nota pé, um pequeno registro, uma notinha mínima numa coluna sem importância, assinada por um jornalista sem credibilidade. Se fosse publicada, a informação serviria para que, no finalzinho da reportagem, ficassem todos com a sensação de que o mundo é bom.

Claro que o mundo é horrível, mas ele é bom, entende?

As focas, saxofonistas ou não, entenderiam. Não é à toa que elas também são experts em beijos.

Um comentário:

Carol MF disse...

Bruno, meus parabéns pelo texto! Uma delícia o seu jeito de escrever. Abraços, Carol