4.6.09

Porre de pão de queijo

Alguém disse que a confiança não cresce como as unhas.

Às vezes por uma simples besteira, às vezes por algo sério. Não importa muito o motivo. Uma vez abalada a confiança doce, pura e original, parece que vai ficar para sempre aquela pulga atrás da orelha.

Aí não importam muito as palavras. Não há como convencer alguém a confiar de novo. Ou há?

Não sei, tenho dificuldades com isso. Sempre fico sem saber o que fazer, esteja de um lado ou de outro do balcão. O que é garantido é o lamento. A lágrima, o choro que vem e volta. 

É possível reconquistar a confiança no dia a dia? Gostaria de saber a receita para voltar a confiar e para ser merecedor de confiança, de novo. Pra ir buscar sabedoria no direito, me parece aquele tipo de prova impossível de ser produzida: como mostrar que vale a pena confiar?

"Perdi a confiança", dizem os olhos marejados. "Me prova, por favor, que eu posso confiar outra vez."

Quem pede a prova não é o desejo ardente por confiar de novo, mas a certeza de quem agora sabe (ou acha que sabe) que nunca deveria ter confiado antes. O pedido de prova é obra da desconfiança e só demonstra que a confiança já se foi totalmente. Confiança é, por si só, um valor que não necessita de prova. Existe por si mesma. Quem quer prova já prova que não confia.

Tá. Mas e se tudo isso não passar de mera retórica? Se sou eu o ofendido, já imagino que o outro não abre os arquivos, não mostra as provas, porque certamente tem muito mais a esconder. Será que então era tudo mentira? Não dá pra saber, e isso machuca. A gente também não sabia antes, a diferença é que agora dói. Muito.

Aí, enquanto não nos convencermos, com provas documentais, de que isso não era aquilo e aquilo não era aquilo outro, nada sai do lugar. O fato é que isso muitas vezes não acontece nunca. Pois vai ter sempre um arquivo ainda não aberto, ou algum outro que já foi apagado. E a gente joga fora um amor.

Sofrer por uma coisa séria, ok, alguém pisou na bola mesmo. Mas sofrer por uma coisa sem importância (o que pelo menos um dos lados sabe que não tem importância) pode ser ainda pior.

O fato é que não existe amor sem confiança. Ele morre, pouco depois dela, se nada for feito para salvá-lo do naufrágio. Também é verdade que ninguém tem culpa por deixar de confiar ao receber determinada informação até então desconhecida. A confiança não pergunta ao dono se é hora de fugir. Ela simplesmente sai, à francesa, sem dizer tchau.

Não sei qual o melhor bote salva-vidas. Não sei quanto pesa o amor e se ficariam demasiadamente justas as boias que usei na natação quando criança. Uma corda? Um balão?

De repente, parece que o amor vai sobreviver. Logo em seguida, parece que não. Orgulhosíssimo de sua independência, o amor recusa a respiração boca a boca, o toque, o carinho. Não ouve, nada do que pode ser dito interessa de fato. Nada vai ser escutado.

Dois pontos de vista diferentes, e nem confronto acontece. Estão todos tão orgulhosamente irredutíveis! 

- Me mostra, senão vou embora. 

- Me escuta e confia, ou então não faz sentido.  

Assunto sem fim, que talvez o tempo possa acalmar e trazer conforto. Ok, conforto. Mas e a prima nobre do conforto? Aquela tal de... confiança? 

- Se você disser que desconfia, amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor.

- É que os desconfiados também têm um coração.

Nervoso, recorro ao Google. Fonte de sabedoria infinita (sic), guru, médico e psicólogo da pós-modernidade. 

Achei por bem visitar a wikipedia. Me agradou a ideia de um conceito coletivo de confiança.

Lá, encontrei que confiança é "o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação".

A navegação continua, vira uma busca por desconfiança. E me parece que o assunto nunca esteve tão na moda.



Entre Obamas e Obinas, como mineiro que não bebe pinga, o que me resta é tomar um porre de pão de queijo.

5 comentários:

Maria disse...

ai ai...
Chega deu um aperto no peito, um nó na garganta.
"A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida"
Amanhã vai ser outro dia...
Beijo.

Viviane disse...

Nossa, minha trilha sonora lendo esse texto é Jeff Buckley... Tens razão. E isso dói :P

Adriel A. disse...

Acima do amor, está a confiança. Quando esta não existe, nada faz sentido!

Primeira vez por aqui; curti o espaço! Vlw!

Débora Salomão disse...

Também é minha primeira vez por aqui! Textos muito legais, gostei do das amoras tb! Dei uma olhada no cafajeste auto-ajuda - bacana!pena que parece abandonado... Faça uma visita: www.laembabel.blogspot.com
Parabéns pelos blogs!

Ciça Calvoso disse...

Você é um dissimulado, meu filho! Precisa se tratar!