11.11.09

A quem interessar possa

A quem interessar possa: eu fiz o meu amor sofrer. Eu feri e machuquei da forma mais vil. Construí um alicerce tão frágil, tão vulnerável que obviamente não tinha como permanecer de pé. Era só um castelo de cartas marcadas e qualquer ventinho besta seria capaz derrubar.

Passado o vendaval, consigo enxergar todas as besteiras que fiz. E, se ainda não sei explicar como me compliquei tanto, ao menos estou repleto da certeza de que isso não vai se repetir.

A dor de machucar o amor é a maior de todas. Quando alguém, com as armas do amor, machuca um desconhecido sem importância, a solução é um pedido de desculpas e olhe lá. Cada um com os seus problemas, diriam alguns. Se um não quer, dois não brigam (nem namoram). Outra coisa completamente distinta é machucar alguém que você ama.

Tomadas todas as dores do mundo, doídas e sentidas, nenhuma delas é tão dolorosa quanto a dor do amor que feriu. Não falo do amor maltratado, do amor ferido. Mas do amor agente da ação, o amor que desfere o golpe, que enfia o facão e rasga o peito do objeto do amor.

Não recomendo a experiência, meus queridos. Não chego a falar de chagas e martírios, mas creio que agonia, tormento, sobressalto e mágoa definem bem o sentimento. Também não quero propor um campeonato de horrores e suplícios.

Mas é fato que, passada a dor aguda do golpe mortal, e não sendo cientificamente possível voltar atrás, resta a navalhada, a úlcera (ou gastrite) aberta de um amor.

Muito mais do que doeu o golpe, vai doer a ferida. O trauma, os gritos e os gemidos se repetem nos ouvidos como ecos do desfecho cruel de um amor que se queria tranquilo.

Sobra então o castigo de se arrepender do aconchego perdido. De repente, o melhor lugar do mundo já não existe mais. Simplesmente foi pulverizado da face da Terra. O deleite e o inferno se confundem num só sofrimento, num só ferimento, num só ressentimento.

Re-sentimento, sim, porque o sentimento vai e volta, em ondas, como os calores da menopausa. O ressentido se ressente do amor perdido que deveras sente. Todos os dias, experimenta novamente o carinho e a ferroada, o sorriso e a convulsão. Voluptuoso é o choro e sedutora é a vontade de se consumir no choro. É como se cada lágrima pudesse recompor uma pequenina porção do gozo que não volta mais.

Sufocar com mentiras um amor de verdade é, talvez, o maior dos crimes contra si mesmo. Cada meia-verdade (ou mentira inteira) afasta mais aquele que ama do seu amor. Portanto, meus caros, antes uma dura verdade que uma doce saída, honrosa ou não.

Impressionante o que a gente precisa passar para amadurecer. Longe de mim competir com dores e amores, mas acho que todo mundo já fez uma grande merda nessa vida. É difícil julgar os outros. A merda que eu fiz, por exemplo, foi federal, generalizada e fedorenta. Causou sofrimento alheio, mas me fez sofrer mais do que tudo.

Diante do sofrimento e da verdade descoberta, alguns dirão: "Vá se tratar!". Outros farão parecer a coisa mais normal do mundo. Um terceiro indivíduo fará um discurso cristão (esse pode ser um motorista de táxi, um estranho qualquer) e recomendará que você entregue a alma a Jesus (não o da Madonna, mas o de Nazaré mesmo), ressaltando que todo pecador merece o perdão.

Aí, meu amigo, você se cala e se pergunta se, por mais que Deus e o mundo inteiro te perdoem, você mesmo vai ser capaz de SE perdoar. Aí não tem nada a ver com religião, ou até tem, né, depende da religião de cada um. Mas esse é o perdão mais difícil.

Pra que essa redenção ocorra é preciso transformar a dor - que ora parece cãimbra, ora açoite, ora beliscão - em uma lembrança viva, porém distante. Deve ser como o Holocausto para os alemães, algo que não se pode esquecer para não viver outra vez.

22.7.09

Preservar-se

Os ambientalistas de plantão e o colega André Trigueiro que me desculpem, mas muito mais importante do que preservar a natureza, é preservar-se. Cada um cuidar de si é o primeiro passo para que todo mundo trate bem o planeta.

De qualquer forma, esse texto não pretende passear pela ecologia, a não ser que a harmonia psíquica possa ser considerada um ecossistema ameaçado. O tema é a autopreservação como valor quase extinto, como bioma em vias de desaparecer por completo.

Não sei se tem a ver com a chegada dos 30 (ou dos quase 31 anos), mas confesso que estou a cada dia mais rebelde. E entre as bandeiras da rebeldia balzaquiana está um sentimento incontrolável que algum desavisado poderia chamar de puro egoísmo.

Trata-se de uma certeza de que, primeiro, antes de tudo, preciso cuidar de mim. A minha barba precisa estar feita para que eu possa tratar do resto do mundo. Para isso, também é preciso ter me alimentado bem: nesse aspecto, beterrabas e cenouras ganham a relevância de assunto de segurança nacional. Em caso de despressurização, a própria companhia aérea ensina a colocar antes a máscara de oxigênio em si mesmo e só então ajudar outra pessoa.

Dirão os que já tem filhos que isso tudo é porque ainda não sou pai. Tá. Experimente não cuidar de si mesmo para ver quem é que vai cuidar do seu filho.

Será que a idade fez escorrer pelo ralo todo o meu senso de compaixão e solidariedade? Claro que não. O que veio com o tempo foi a descoberta de que é fundamental conhecer os próprios limites.

Não se trata de ser um sujeito limitado, sem calor na alma e sem perspectivas. Os limites individuais estão aí justamente para serem quebrados. Mas alto lá: quebrados por mim mesmo! O pulo do gato é saber quais são os limites para definir exatamente quais deles eu não quero ver ultrapassados pelo vizinho. É só conhecendo os meus limites que posso ser respeitado pelo outro.

A ideia não tem nada a ver com apologia da intransigência. Ceder é, sim, muito importante: é essencial para viver em sociedade, para amar e ser amado, mas é necessário aprender a ceder. Saber onde e quando ceder é mais uma daquelas difíceis lições que a escola não ensina.

Se o fundamental é estar bem consigo mesmo para poder amar o mundo, ser fiel a seus próprios princípios deveria ser a regra número um de qualquer indivíduo. O desafio é colocar isso em prática sem ser teimoso nem turrão. A campanha é esta mesma: autofidelidade já.

Fico me perguntando por que cargas d'água a gente se coloca em tantas enrascadas. Será que a gente precisa mesmo passar por tudo o que passa? Ou será que dá para fazer um filtro e despoluir um pouco? Por que é tão difícil dizer não, mesmo quando estamos diante daquele pedido mais inconveniente? Um sujeito folgado pede um absurdo e quem está do outro lado é obrigado a atender?

E os rancores, as frustrações? Será que não podemos simplesmente reciclar o desgosto? Por que sofremos tanto pelo que já sabemos que vai dar errado? Ou pelo que simplesmente dá errado, mas não depende nem nunca dependeu da gente? Se não havia nada que pudesse ser feito para evitar o desfecho trágico, por que sofrer tanto quando se consuma a tragédia?

O mundo está repleto de especialistas em sofrer porque o outro não fez o que cabia. Também há um amontoado de gente cujo maior medo é pronunciar a palavrinha não. Pedir desculpas e dizer "olha, desta vez não vai dar" não pode ser pior do que se afogar em chatices.

Devo admitir, passei a vida sendo um representante desse grupo. Mas estou aprendendo a me blindar. Tudo começa com pequenas coisas. São exercícios diários. Tá doente? Fique em casa. Fez errado? Volte e refaça. Não está afim? Avalie e, se aguentar o tranco, não faça _mas aprenda a também se comprometer quando preciso.

Desacelerar. Respirar. Repensar. Simplesmente não pensar.

Não se trata de fazer apenas o que dá na telha, sem concessões. Mas é chegada a hora de ser um pouco mais Alberto Caeiro. Um pouco mais zen. Um pouco mais nem. Um pouco mais além.

Não tem nada de revolucionário nisso... ou tem? O tempo das pessoas é agora. Os homens passam, as corporações ficam. Elas vão ficar de qualquer jeito. É por isso que o grande desafio está em fazer essa porção efêmera ser o mais maravilhosa possível.

Parece que ninguém se preocupa em agir para evitar sofrimentos desnecessários. Pois bem, a estratégia agora é sofrer apenas com o que for inevitável.

Pela lógica, isso deve nos deixar com muito mais tempo livre para aproveitar o que realmente importa na vida: o amor, a família, os amigos. À primeira vista, pode parecer uma enorme incoerência, mas só com uma certa dose de individualismo é possível ter uma vida cercada de calor humano. Tá aí, esse era o superaquecimento global que eu queria ver.

A erosão dos sentimentos é um processo bem mais rápido do que parece. Os amores, desprotegidos e desmatados, podem se desintegrar na rotina.

Faça sua parte. Não sacrifique sua alma.

Preserve a sua natureza.

4.6.09

Porre de pão de queijo

Alguém disse que a confiança não cresce como as unhas.

Às vezes por uma simples besteira, às vezes por algo sério. Não importa muito o motivo. Uma vez abalada a confiança doce, pura e original, parece que vai ficar para sempre aquela pulga atrás da orelha.

Aí não importam muito as palavras. Não há como convencer alguém a confiar de novo. Ou há?

Não sei, tenho dificuldades com isso. Sempre fico sem saber o que fazer, esteja de um lado ou de outro do balcão. O que é garantido é o lamento. A lágrima, o choro que vem e volta. 

É possível reconquistar a confiança no dia a dia? Gostaria de saber a receita para voltar a confiar e para ser merecedor de confiança, de novo. Pra ir buscar sabedoria no direito, me parece aquele tipo de prova impossível de ser produzida: como mostrar que vale a pena confiar?

"Perdi a confiança", dizem os olhos marejados. "Me prova, por favor, que eu posso confiar outra vez."

Quem pede a prova não é o desejo ardente por confiar de novo, mas a certeza de quem agora sabe (ou acha que sabe) que nunca deveria ter confiado antes. O pedido de prova é obra da desconfiança e só demonstra que a confiança já se foi totalmente. Confiança é, por si só, um valor que não necessita de prova. Existe por si mesma. Quem quer prova já prova que não confia.

Tá. Mas e se tudo isso não passar de mera retórica? Se sou eu o ofendido, já imagino que o outro não abre os arquivos, não mostra as provas, porque certamente tem muito mais a esconder. Será que então era tudo mentira? Não dá pra saber, e isso machuca. A gente também não sabia antes, a diferença é que agora dói. Muito.

Aí, enquanto não nos convencermos, com provas documentais, de que isso não era aquilo e aquilo não era aquilo outro, nada sai do lugar. O fato é que isso muitas vezes não acontece nunca. Pois vai ter sempre um arquivo ainda não aberto, ou algum outro que já foi apagado. E a gente joga fora um amor.

Sofrer por uma coisa séria, ok, alguém pisou na bola mesmo. Mas sofrer por uma coisa sem importância (o que pelo menos um dos lados sabe que não tem importância) pode ser ainda pior.

O fato é que não existe amor sem confiança. Ele morre, pouco depois dela, se nada for feito para salvá-lo do naufrágio. Também é verdade que ninguém tem culpa por deixar de confiar ao receber determinada informação até então desconhecida. A confiança não pergunta ao dono se é hora de fugir. Ela simplesmente sai, à francesa, sem dizer tchau.

Não sei qual o melhor bote salva-vidas. Não sei quanto pesa o amor e se ficariam demasiadamente justas as boias que usei na natação quando criança. Uma corda? Um balão?

De repente, parece que o amor vai sobreviver. Logo em seguida, parece que não. Orgulhosíssimo de sua independência, o amor recusa a respiração boca a boca, o toque, o carinho. Não ouve, nada do que pode ser dito interessa de fato. Nada vai ser escutado.

Dois pontos de vista diferentes, e nem confronto acontece. Estão todos tão orgulhosamente irredutíveis! 

- Me mostra, senão vou embora. 

- Me escuta e confia, ou então não faz sentido.  

Assunto sem fim, que talvez o tempo possa acalmar e trazer conforto. Ok, conforto. Mas e a prima nobre do conforto? Aquela tal de... confiança? 

- Se você disser que desconfia, amor, saiba que isso em mim provoca imensa dor.

- É que os desconfiados também têm um coração.

Nervoso, recorro ao Google. Fonte de sabedoria infinita (sic), guru, médico e psicólogo da pós-modernidade. 

Achei por bem visitar a wikipedia. Me agradou a ideia de um conceito coletivo de confiança.

Lá, encontrei que confiança é "o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação".

A navegação continua, vira uma busca por desconfiança. E me parece que o assunto nunca esteve tão na moda.



Entre Obamas e Obinas, como mineiro que não bebe pinga, o que me resta é tomar um porre de pão de queijo.

25.3.09

Tinha uma amora no meio do caminho

Quantos segredos moram naquilo que não é dito? Quantos detalhes se escondem no que não é percebido?

Na esquina da minha casa, mora, lânguida e faceira, sem nunca haver se escondido de mim nem de ninguém, uma amoreira. Só fui percebê-la há poucos dias, ao encontrar a esquina repleta de amoras espalhadas pelo chão.

Já tinha notado que a esquina vivia cheia de inúmeros pontinhos pretos. Por fim notei que não eram assim tão pretos, estavam mais puxados para o violeta. E, bom, também que não eram bem pontinhos, pareciam mais amoras mesmo.

Enfim, foi uma gostosa surpresa descobrir que era isso mesmo. Eram amoras!

Roubei uma da árvore. Comi. Estava meio doce, meio azeda - bah, gosto de amora.

E segui para o trabalho pensando como é que algo está tão perto e demoramos a perceber. A coisa está ali e não damos nada por ela.

Anteontem uma bala veio se perder a duas quadras da minha casa. A duas quadras da amoreira. Essa loucura do Rio, guerra de traficantes.

Longe de mim querer comparar balas de fuzil com amoras, mas devo dizer que andam me interessando bem mais as amoras.

As balas, impossível não tomar conhecimento delas. Fazem estrondo. A imprensa toda grita e indica. Me preocupo com elas, claro. Quem não se preocupa?

O que falta é quem se preocupe com as amoras! Não que elas se importem, não mesmo. Mas porque desse jeito ficamos somente com a porção ruim do mundo, com as atenções totalmente voltadas para a rotina, para o mesmo cotidiano de todo dia e, de vez em quando, para alguma tragédia que quebra a mesmice, como uma bala perdida.

Não quero amoras nas primeiras páginas dos jornais nem ouso sugerir que a imprensa busque apenas boas notícias. O IG até tentou fazer um dia só de "notícias positivas" no portal, mas era justamente 11 de Setembro de 2001 e foi tudo para o beleléu.

O melhor das amoras é que elas não querem mídia. Elas são simples e nessa simplicidade se esconde sua doçura. Elas só desejam ser notadas - e degustadas - por aqueles que já estão por perto e seguem confundindo amoras roxas com pontinhos pretos.

Quantos gestos de amor deixamos de notar todos os dias? Quanto do mundo e dos outros eu mesmo deixo de perceber? E quanto de mim mesmo deixa de ser percebido?

A única certeza é que, além de balas, não faltam amoras perdidas. Amoras e amores.

10.3.09

Ensaio sobre o estrabismo

As aparências encantam. Mesmo que não sejam lá as "boas aparências" exigidas pelas lentes hollywoodianas ou pelos anúncios de emprego. O que importa é agradar o freguês.

Dizer que quem ama o feio bonito lhe parece é das coisas mais preconceituosas do mundo. Primeiro porque pressupõe que exista uma beleza correta e perfeita. Não há; tudo não passa de ponto de vista.

O que pode ser supersexy pra mim pode ser a coisa mais mais corta-clima pra você. E, depois, porque o mais bonito é amar alguém por inteiro. O ideal não é amar alguém apesar de seus defeitos, o paraíso de fato é amar alguém justamente por causa de seus defeitos.

E eu me arrisco a dizer, virginiano que sou, que esse é o ponto máximo do amor. Porque o virginiano, mais do que todos, está sempre tentando melhorar o mundo. OK, você pode dizer: "Que cara chato, mala, não deixa passar nada, sempre vê o lado negativo das coisas."

Mas eu garanto que não é nada disso. Eu, por exemplo, sou um otimista: se falo que falta algo, é porque acredito no mundo e o amo tanto que acho que vale a pena gastar saliva para melhorá-lo.

- "Ah, eu te amo! Você tem os defeitos que eu sempre sonhei!"

Imagine. Essa, sim, é a perfeição absoluta. A certeza, serena, de que aqueles defeitos você pode suportar. Trata-se de uma garantia de amor incondicional e duradouro.

Pois bem, outro dia um amigo me revelou uma predileção pelo estrabismo. Um fetichezinho besta. "Não pode ser uma coisa exagerada", explicou ele. Mas um certo grau de estrabismo lhe atrai. É fofo. Um dentinho torto também serve, complementou.

OK, aceitemos, pode também ser um dentinho torto. Se possível, encavalado. Mas só um. Não serve a arcada inteira.

O amigo é exigente. E o controle de qualidade passa, veja só, até pela feiura. Doses homeopáticas de feiura sob medida - e ele chama isso de "charme".

Ah, mas que mal há nisso? O que importa é olhar pra alguém e sentir essa certeza - estranha e doce - de que tudo está exatamente no seu devido lugar.

Fico pensando se não é por isso que eu amo tanto o Rio. E justamente porque amo, vejo (e aponto) tão virginianamente os defeitos da cidade. Me perguntaram outro dia: "Você gosta mesmo do Rio?! Você só fala mal da cidade!"

Ai, Deus, como explicar que, se não amasse, não falaria. Não reclamaria. Não perderia o meu tempo tentando entender, tentando sugerir melhorias. O mesmo problema eu tenho no amor. No amor a dois, quero dizer. Eu sempre enxergo os cílios fora do lugar, as roupas amassadas, as unhas malfeitas. E amo apesar disso, amo também por isso. Talvez exatamente por isso.

Um ou outro pode dizer que o estrábico sou eu. Sou eu quem tem a visão turva, que enxergo torto, vendo problema em todo lado. Mas "ojo", como dizem os argentinos, não são problemas!

Se para quem ouve pode parecer uma simples crítica, para mim não passa de uma pedrinha a mais pelo caminho, um tijolo a mais na construção. Sinal de que cuido, me importo, amo. Sinal de que me interesso e de que presto atenção em todos os detalhes, em tudo o que diz respeito ao ser ou ao objeto amado.

Tá. Eu reconheço que pode parecer uma maneira bastante curiosa de amar. Mas esse é um tipo de amor intenso e real, não uma criação de pura fantasia. Um amor pé no chão. Seja um chão de estrelas, de pedrinhas de brilhante, de barro, de areia fina, de mijo pelas ruas, não importa.

Um amor verdadeiro é um pé de moleque, não o doce, mas o do menino que não tem medo de pisar onde quer que seja preciso. Quer coisa mais linda do que avistar uma poça d'água no caminho, encará-la, e depois pisar bem no meio dela, de propósito, por puro prazer?

Dar um passo por impulso pode ser bonito. Mas saltar mesmo depois de analisar todos os riscos, e defeitos, e problemas, e possibilidades... ah, isso sim merece admiração!

Meu plano é este: olho sempre por onde piso e sigo em frente quando vale a pena.

Se acho que vale a pena, vou pensando em como melhorar o caminho, botar umas flores por aqui, dar uma capinada por ali. Hahaha. Mas são detalhes, pequenos charmes, pois o caminho já foi escolhido. O passo é firme. E não imagino um pé melhor para terminar uma notícia.