19.2.08

Sinal fechado

Não quero assustar ninguém, mas quase morri ontem. E eu só estava em meus afazeres diários. Tudo por causa de um sinal. Sim, sinal mesmo _nada de farol, Paulicéia.

Essa mania que a gente tem de entrar em carro de desconhecidos todos os dias. Esse hábito estranhíssimo de entregar a vida a um cidadão que você nunca viu. Não, não se trata de pegar carona com estranhos, é pior: ainda é considerado chique pagar por isso. Um conforto chamado táxi. E todo mundo viu a história da Maria Luísa Rodenbeck.

Quase morri porque o sinal fechou. E parece que o motorista não viu. Teve um outro engraçadinho, do outro lado, que também não viu. Esses cruzamentos malucos de onde vêm carros de três, quatro lados diferentes.

Diz a Adriana Calcanhotto: cariocas não gostam de sinal fechado. Mas o pior é que nos últimos dias os sinais estão rondando a minha vida.

Muito antes de ontem, passei a semana cantarolando "Sinal Fechado", do Paulinho da Viola. A versão inigualável é a da Bethânia e do Chico, mas vale Elis, vale o próprio Paulinho. Ouvi a música a semana inteirinha. No mínimo curioso.

Fiquei me lembrando do disco do Chico de 1974 que leva esse nome, justamente aquele em que ele, perseguido pela censura, gravou músicas de outros compositores. Do disco todo, só uma música é dele mesmo, "Acorda amor", assinada com o pseudônimo de Julinho da Adelaide. Esperto, aproveitou o título da música do Paulinho para batizar o disco e mandar um recado à ditadura.




Pois é. Estou nostálgico. E "Sinal Fechado" fala justamente de reencontro, né, um tipo de reencontro intenso, mas que te deixa sem saber o que dizer. Não há como fazer estatística, mas minha vida tem se resumido a isso. Olá, como vai? Eu vou indo, e você, tudo bem? E por aí vai.

Mais engraçado ainda é que ontem foi a estréia da minissérie Queridos Amigos, da Maria Adelaide Amaral. Texto delicado, sensível, interpretação bastante feliz de grandes atores. De BH, minha mãe me disse ao telefone que se identificava profundamente com aquilo tudo.

O tema é justamente o reencontro de grandes amigos e amores que de um certo modo ficaram pra trás, mas que se mantiveram incrivelmente presentes ao mesmo tempo. Me emocionei, mas eu nem sou parâmetro, sou manteiga derretida mesmo. Ah, e fala também sobre essa coisa de ver a morte de perto. Na trilha sonora da minissérie, quem diria, "Sinal Fechado."

Sim, a mesma música vencedora do V Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record. Novembro de 1969, Paulinho da Viola.





E eu tinha algo mais a dizer. Mas me foge a lembrança.

2 comentários:

Ilis disse...

Também vi Queridos Amigos ontem. Estou animada mas, por enquanto, a minha impressão é a de que os diálogos ainda estavam um pouco duros. Digamos assim... Uma seqüência de frases bonitas nem sempre constitui um diálogo.

Isso vale tanto para a dramaturgia como para a vida "real".

Mas nem era isso o que eu ia dizer. E sim que nada como uma experiência de quase morte para o reencontro com a gente mesmo, não é?

No fim, acho que a minissérie fala disso também.

Saudade!
Bj

Luiza disse...

Também estou adorando Queridos Amigos!! E meu deus tadinho, quase morreu...